sobre a crítica cinematográfica
{ Tags: cinema, crítica, jornalismo, pablo villaça \ jan31 }Eu sempre gostei muito da crítica cinematográfica. Desde que comecei a fazer jornalismo na faculdade, cogitei tentar, um dia, tornar-me um crítico de alguma publicação.
Claro, é um caminho longo: além do grande domínio da escrita, é necessário bastante conhecimento de linguagem cinematográfica e um amplo currículo de filmes (afinal, para entender referências, nada resolve, além de ter visto muitos filmes). Por isso é difícil ver qualquer jovenzinho assinando críticas.
Mas, como a prática é o melhor caminho para o melhoramento, uma das maiores funções desse blog vai ser a publicação de críticas (ainda amadoras, claro) por minha parte. Vai servir de exercício e portfólio.
Por outro lado, apesar de gostar muito da crítica propriamente dita, eu tenho muita dificuldade em encontrar críticos de quem realmente gosto. Explico: na maioria das vezes, acabo me decepcionando por perceber que o ego de muitos acaba ficando acima da independência analítica.
“É arriscado criticar um filme de Almodóvar?” / “Pega mal discordar de Cannes?” / “E concordar com o Oscar uma vez na vida, é feio?” / “Vou parecer menos culto se achar um filme iraniano chato?”
O problema é que a personalidade de alguns acaba passando por cima do seu trabalho. E aí aquilo deixa de ser crítica e vira apenas um comentário. Na época da Mostra de São Paulo, por exemplo, chega a ser irritante a competição de ‘quem viu mais filmes’ entre os seletos donos de uma credencial.
Lembro de ter lido (ou ouvido) o mestre Pablo Villaça (que considero o maior crítico do país e devo citar muitas vezes por aqui) explicando que crítica, mais do que dizer se gostou ou não de um filme, é explicar o porquê dos impactos daquilo que foi visto. Se em certa cena, o público ficou empolgado, é função do crítico explicar a razão. Se o filme contava com um elenco de peso e trouxe um resultado ruim, é função do crítico encontrar o erro. A crítica, mais do que o parecer de um especialista, é uma pequena aula de cinema, baseada em um exemplo específico (o filme em questão).
Pensando dessa forma, é difícil encontrar um crítico de verdade nas publicações do país – o que a gente mais vê são resenhas e julgamentos.