Leia meus textos da coluna ‘Falando de cinema’
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 11/02/2012
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‘O Artista’ é um filme ousado para nossa época. Ao mesmo tempo em que as salas de cinema recebem ‘As Aventuras de Tintin’, feito em 3D com a ultratecnológica técnica de captura de movimento, um filme mudo em preto e branco chamou a atenção do mundo inteiro.
Dirigido pelo até então desconhecido Michel Hazanavicius, o longa conta a história de um astro do cinema mudo, que vive uma crise com o surgimento do som nas projeções. A sensação no cinema ao assistir ‘O Artista’ é incrível, principalmente para os que ainda não tiveram contato nenhum com o cinema mudo. Muitos, talvez seduzidos pelo turbilhão de sensações do cinema contemporâneo, acreditam que o filme seja entendiante ou parado – mas é só dar uma oportunidade para a fita, que a surpresa é garantida.
Com atuações incríveis e direção e roteiros impecáveis, o longa faturou três Globos de Ouro, dos seis para os quais foi indicado. Mais que isso, felizmente, ‘O Artista’ foi indicado para dez estatuetas do Oscar, inclusive de Melhor Filme, onde atua no primeiro pelotão dos favoritos.
Há pouco menos de dois anos, em 2010, foi a vez do músico e sonoplasta Dan Pritzker lançar seu filme mudo: ‘Louis’, exibido, inclusive, com música ao vivo em algumas salas – relembrando o que acontecia há décadas, no início do cinema. Sem tecnologia para integrar a película e a banda de som (como funciona atualmente), os filmes antigos, até a década de 20, contavam com uma equipe de sonoplastia na hora de exibição, nas próprias salas de cinema. A equipe era responsável pelos efeitos sonoros, além das músicas específicas para algumas cenas.
O mais interessante é que ‘Louis’ relata a infância de um dos maiores músicos da história: Louis Armstrong, considerado o grande nome do Jazz. O contraste deixa o filme ainda mais ousado: apesar de se tratar de um filme silencioso, a história contada não é nada silenciosa.
Mais que ousados, essas experiências são aulas de cinema. Mostram a essência da sétima arte no seu surgimento, para uma geração que não teve contato com esses tipos de filmes. Por outro lado, é triste a constatação de que não é bem isso que o público quer. ‘O Artista’, apesar das dez indicações ao Oscar, dos Globos de Ouro e da, praticamente, unanimidade da crítica mundial, faturou até agora menos de 30 milhões de dólares em bilheteria. Enquanto isso, as superproduções, como ‘Alvin e os Esquilos’, ‘Missão Impossível: protocolo fantasma’ e ‘O Homem que não Amava as Mulheres’ já passam dos cem milhões.
Fica, então, um desafio: os que nunca assistiram um filme mudo (ou preto e branco), devem correr a uma locadora (ou a um cinema, onde possam assistir ‘O Artista’) e permitir se surpreender. É uma grande e boa surpresa descobrir o valor da simplicidade na arte.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 04/02/2012
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No último dia 24, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou a lista de filmes indicados ao Academy Awards – o Oscar.
Segue a lista dos indicados nas principais categorias:
Fotografia:
- Millennium – Os Homens que não amavam as mulheres
- O Artista
- Hugo Cabret
- A Árvore da Vida *
- Cavalo de Guerra
Efeitos visuais:
- Harry Potter
- Hugo Cabret
- Gigantes de Aço
- Planeta dos Macacos – A Origem *
- Transformers: O Lado Oculto da Lua
Filme em língua estrangeira:
- A Separação (Irã) *
- Bullhead (Bélgica)
- Monsieur Lazhar (Canadá)
- Footnote (Israel)
- In Darkness (Polônia)
Roteiro adaptado:
- Hugo Cabret
- Tudo pelo poder
- Os Descendentes *
- O Espião Que Sabia Demais *
- O Homem Que Mudou o Jogo
Roteiro original:
- Meia-Noite em Paris *
- O Artista
- Margin Call – O Dia Antes do Fim
- Missão Madrinha de Casamento
- A Separação
Ator coadjuvante:
- Kenneth Branagh – Sete Dias com Marilyn
- Nick Nolte – Guerreiro
- Max Von Sidow – Tão Perto e Tão Forte
- Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo
- Christopher Plummer – Toda Forma de Amor *
Ator:
- George Clooney – Os Descendentes
- Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo *
- Jean Dujardin – O Artista *
- Demián Bichir – A Better Life
- Gary Oldman – O Espião que Sabia Demais
Atriz coadjuvante:
- Bérénice Bejo – O Artista
- Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
- Janet McTeer – Albert Nobbs
- Melissa McCarthy – Missão Madrinha de Casamento
- Octavia Spencer – Histórias Cruzadas *
Atriz:
- Glenn Close – Albert Nobbs
- Viola Davis – Histórias Cruzadas *
- Rooney Mara – Millennium
- Meryl Streep – A Dama de Ferro *
- Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn *
Diretor:
- Woody Allen – Meia-Noite em Paris *
- Terrence Malick – A Árvore da Vida *
- Alexander Payne – Os Descendentes
- Michel Hazanivicous – O Artista *
- Martin Scoreses – Hugo Cabret
Melhor Filme:
- Os Descendentes
- A Árvore da Vida
- Histórias Cruzadas
- A Invenção de Hugo Cabret
- O Homem Que Mudou o Jogo
- Cavalo de Guerra
- O Artista *
- Meia-Noite em Paris
- Tão Perto e Tão Forte
O líder em indicações é ‘A Invenção de Hugo Cabret’, com 11, seguido pelo mudo ‘O Artista’, que concorre a dez estatuetas.
Muitas vezes há um grande favorito para a dobradinha “Filme/Diretor”, mas dessa vez é difícil apostar em apenas um – a dupla ‘O Artista’ e ‘Histórias Cruzadas’ deixam qualquer aposta mais complicada. A previsão, até cerca de um mês atrás, era que ‘O Artista’ chegaria à cerimônia como favorito absoluto. Porém, a performance de ‘Histórias Cruzadas’ nas premiações até então surpreendeu, levando-o para a disputa. Na última segunda-feira (30), inclusive, o longa recebeu o prêmio de melhor elenco, no SAG Awards – premiação votada pelos próprios atores de Hollywood – dando o fôlego final na corrida pelo Oscar. Além dos dois, há ‘Hugo’, que, recordista em indicações no ano, mostra ter impressionado a Academia.
Surpreenderam a ausência de DiCaprio entre os atores, e a (merecidíssima) indicação de Torrence Malick entre os diretores, por ‘A Árvore da Vida’, que pegou o lugar de Fincher (de Millenniun) na disputa.
O não-favoritismo de ‘A Árvore da Vida”, meu favorito, me lembra da triste realidade do Oscar atual: a maioria dos cinéfilos tem sido obrigada a fazer duas listas: de ‘quais eles acham que vai ganhar’ e de ‘quais eles gostariam que ganhasse’. A diferença entre as duas listas é a maior prova de que a Academia e o público estão, cada vez mais, mais distantes.
(estão com * os favoritos de cada categoria no momento).
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 28/01/2012
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Você chegou a reparar nos filmes que estiveram em cartaz no ano passado? Cerca de 20% das produções cinematrográficas de Hollywood em 2011 foram continuações.
Apoiar-se no sucesso de filmes originais e gerar sequências é uma prática comum na indústria. A justificativa é simples: apelar para um público já previamente cativo diminui a temida possibilidade do fracasso de bilheteria. Mas e o processo criativo?
Um exemplo é o ‘Se Beber Não Case 2’, que chegou ao Brasil em maio passado. O primeiro longa foi um sucesso estrondoso de bilheteria, e, apesar do apelo sexual e do humor escrachado, conquistou até a crítica, por contar com um roteiro policial bem costurado. Já o segundo longa foi mais longe (falando em dinheiro) e tornou-se a ‘comédia para adultos’ mais vista da história. Por outro lado, o roteiro foi reciclado do primeiro filme, contando com uma estrutura idêntica. A estratégia foi não arriscar e fazer mais do mesmo – o dinheiro chegou (e muito), mas o processo criativo não teve evolução.
Claro que, por se tratar de uma indústria, a prioridade dos estúdios será sempre a rentabilidade de um projeto. Seria muito utópico esperar algo diferente disso. A solução, portanto, para os que querem conhecer histórias novas e algo ‘fora do comum’, é mudar um pouquinho a direção dos olhos. Quando chegar a uma locadora, não corra mais para a área de lançamentos, mas procure os clássico (pode ser de Hollywood mesmo), além de conhecer algo incrível, ainda vai acabar economizando. Procure, também, filmes de outros países (nesse caso, pode ser os lançamentos mesmo). Duas sugestões recentes: o drama iraniano ‘A Separação’ e o francês (e mudo) ‘O Artista’, que, inclusive, é um grande palpite para o Oscar.
Sequências no Brasil
No Brasil, a situação é semelhante. Em 2012, uma enxurrada de continuações chegará às telonas. Com o fôlego que, felizmente, o cinema brasileiro tomou nos últimos 15 anos (período chamado de pós-retomada), 20% da bilheteria do cinema no país é de filmes nacionais – um sucesso empolgante!
Se, por um lado, isso é ótimo para o cinema brasileira, levando nossos longas à salas e festivais internacionais; por outro, industrializa cada vez mais a produção tupiniquim, que ano a ano, se assemelha mais a Hollywood nesse sentido.
Explico: a Globo Filmes, vertente cinematoráfica das Organizações Globo, é praticamente a dona do cinema brasileiro. Aproveitando da estrutura oferecida pela Rede Globo, o estúdio possui contrato com centenas de atores, pode usar as instalações do Projac e o equipamento da emissora. Dessa forma, por oferecer melhor estrutura, acaba atraindo todos os grandes diretores e roteiristas. Por consequência, a maioria das fitas rentáveis lançadas anualmente leva o selo global, transformando o cenário em quase um monopólio. E, como a escola ensina: o monopólio é nocivo para o mercado.
Nesse caso, a sugestão é a mesma: se não é isso que você quer, se você busca histórias novas, mude o olhar. Existe muito, muito filme brasileiro bom, empoeirando nas estantes das locadoras. É só procurar.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 21/01/2012
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No último domingo, George Clooney recebeu o Globo de Ouro como melhor ator de drama, pelo longa ‘Os Descendentes’. No seu discurso, referiu-se ao seu concorrente (e, até então, favorito para a premiação) Brad Pitt, dizendo que além de um grande ator, Pitt faz muito pelo mundo.
Brad Pitt, além de um dos maiores atores da atual geração, faz parte de um grupo de estrelas que se dedicam à causas sociais. Mais do que simples patrocinadores, eles são, de fato, ativistas.
Junto com sua esposa, Angelina Jolie, Pitt foi, em 2005, para o Paquistão, visitar as vítimas de um grande terremoto. No ano seguinte, foram para o Haiti, também focados em problemas sociais. No mesmo ano, foi fundada a Jolie-Pitt Foundation – assumindo de vez o caráter humanitário do casal. Nos anos de existência, a fundação já recebeu milhões de dólares dos fundadores.
O ativismo de Pitt é uma clara influência de Jolie, que já fazia esse tipo de ações há uma década, muito antes de envolver-se com o galã. Em 2001, a musa realizou uma missão de 18 dias na Serra Leoa e Tanzãnia, além de passar semanas no Paquistão, onde visitou refúgios de afegãos no país. Todo o trabalho foi custeado pela própria atriz, que fez as missões sem luxo algum, seguindo o padrão de vida dos missionários da ONU.
Até hoje, Jolie já se envolveu com causas sociais de mais de 30 países, incluindo a revolução líbia do ano passado. Além dos gêmeos biológicos, o casal Jolie-Pitt tem outros quatro filhos adotados de diferentes países: Camboja, Vietnã, Etiópia e Namíbia. Os dois primeiros, inclusive, foram adotados antes mesmo do casamento, por uma Jolie, até então, solteira.
Outro nome fortemente ligado ao ativismo é Sean Penn. Além das ajudas sociais, como no caso do Furacão Katrina e dos terremotos do Haiti, em 2010, o ator é fortemente envolvido em questões políticas. Durante a última década, Penn foi um grande crítico da gestão Bush, posicionando-se fortemente contra a Guerra do Iraque e da política externa violenta do antigo presidente. Tamanho era a reprovação do ator que, naqueles anos, marcou encontros com Hugo Chávez e Raúl Castro, dois dos maiores inimigos políticos dos Estados Unidos.
Clooney, ao falar de Pitt, tinha também propriedade sobre o assunto. É um dos maiores envolvidos da atualidade – participando de missões sociais da ONU, ajudando vítimas de acidentes naturais e lutando contra injustiças políticas, ele usa a importância de sua imagem para causa algum impacto. Em 2010, por exemplo, o ator conseguiu um horário na agenda do presidente Obama, para discutir, pessoalmente, as dificuldades do Sudão.
Esses são só alguns exemplos – há diversos outros nomes que fazem o mesmo, dedicando seu tempo (e dinheiro, claro) para ajudar aos menos favorecidos. Mia Farrow, por exemplo, foi uma das pioneiras nesse tipo de ação, influenciando a atual geração de jovens celebridades.
Há sempre alguém alegando que a real preocupação dessas pessoas é construir uma imagem positiva, e que todo esse altruísmo não passa de marketing pessoal. O que esses críticos não percebem é que, quando se trata de fazer o bem, o que importa é o resultado.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 14/01/2012
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Na última edição de O Sul de Minas, a coluna ‘Falando de Cinema’ começou uma lista com os filmes mais aguardados para 2012. Como dito na semana anterior, o ano cinematográfico é longo e, por isso, a lista continua nessa edição:
- 007: Skyfall
Já são 22 filmes na franquia 007. Em ‘Skyfall’, Bond viverá sua vigésima terceira missão nas telonas, mais uma vez interpretado por Daniel Craig (‘Casino Royale’ e ‘Quantum of Solace’). Já a direção é surpreendentemente assinada por Sam Mendes, que possui poucos filmes em seu invejável currículo, como ‘Beleza Americana’, ‘Estrada para a Perdição’ e ‘Foi Apenas um Sonho’.
- Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras
Continuação do filme de 2009, ‘Sherlock Holmes 2’ conta com a mesma grande dupla que divertiu no anterior: Jude Law (‘Closer’) e Robert Downey Jr. (‘Homem de Ferro’). Mais uma vez com direção de Guy Ritchie, o longa poderá alegrar os fanáticos pela livros do personagem, por trazer o maior inimigo de Sherlock para o cinema: o Professor Moriarty. A estreia ocorrerá nessa sexta, 13, nos principais cinemas do país.
- Faroeste Caboclo – O Filme
Quem nunca ouviu a história de João de Santo Cristo? Aquele mesmo, que “quando criança só pensava em ser bandido, ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu”. A imortal canção do Legião Urbana terá sua adaptação para as telas. Dividindo opiniões mesmo antes da estreia, só saberemos o resultado no mês de maio, quando o filme chegará às salas de projeção.
- Os Vingadores
Quem gosta de filmes de heróis já sabe um pouco sobre ‘Os Vingadores’. Trata-se de um longa que unirá personagens que tiveram filmes próprios lançados nos últimos anos: o Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e Thor. Se você gostou de algum desses, assistir ‘Os Vingadores’ é um dever. Para muitos, esse é o filme mais esperado dos últimos anos, superando até Batman (citado na última edição).
- A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Como a lista trata dos filmes mais esperados (e não dos melhores filmes), ‘Amanhecer – Parte 2’ tem sua lugar garantido. Mesmo sendo um fiasco perante a crítica, a primeira parte do longa adolescente teve um público gigantesco em 2011, conquistando sua posição entre os filmes mais rentáveis do ano. Sua continuação, ‘Parte 2’, já é garantia de sucesso (de público, claro) e rentabilidade.
Além dos filmes citados, há outros que merecem destaque:
- Resident Evil 5: continuação da já saturada saga Resident Evil, mas que ainda tem um público cativo e efeitos especiais de última geração
- O Legado Bourne: quarto filme da aclamada franquia Bourne, dessa vez não contará com Matt Damon, estrela dos filmes anteriores.
- American Pie – O Reencontro: o elenco do primeiro filme da franquia se reúne para trazer de volta todos os personagens, 10 anos depois daquela formatura.
- ‘Madagascar 3’ e ‘A Era do Gelo 4’: continuações de duas grandes franquias da animação mundial, são garantia de diversão.
É importante lembrar que essa lista não representa nem um décimo das estreias de 2012, e que há muito para ser explorado no cinema, principalmente fora das grandes bilheterias.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 07/01/2012
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Sempre que começa um novo ano, há uma grande expectativa quanto aos filmes que virão para as telonas nos meses seguintes. Em 2012 não é diferente, e não são poucas as produções que estão deixando os fãs ansiosos na espera. Na intenção de incentivar essa expectativa, selecionei uma lista de filmes que devem agradar nesse novo ano:
- Total Recall
Dirigido por Len Wiseman (Anjos da Noite) trata-se de um remake do longa de 1990, ‘O vingador do futuro’, na época protagonizado por Arnold Schwarzenegger. Na nova versão, quem ganhou o papel foi Colin Farrell (Minority Report), que fica com a responsabilidade de não decepcionar ao reinterpretar um clássico da ficção científica dos anos 90.
- Os homens que não amavam as mulheres
Os americanos têm horror a legendas. Acostumados com super-lançamentos em sua língua mãe, ter que assistir algo em sueco, por exemplo, é impensável. Para suprir essa dependência norte-americana, cada vez mais os estúdios de Hollywood apelam para a oportunidade de refazer filmes, mesmo que recém-lançados. É o caso do sueco ‘Os homens que não amavam as mulheres’, de 2009. Nesse caso, as expectativas são altas, visto que quem assina a direção é o aclamado David Fincher (A Rede Social). O longa já estreou nos EUA e se mostrou um sucesso de crítica e bilheteria.
- A Dama de Ferro
Protagonizado pela incrível Meryl Streep (O Diabo veste Prada), o longa trata da icônica premiê britânica Margaret Thatcher, conhecida na história como a Dama de ferro. A ideia da fita é mostrar o preço que a política pagou pelo poder. Apesar da unânime aprovação de Meryl no papel principal, a crítica norte-americana (onde o filme já estreou) está dividida.
- O Espetacular Homem-Aranha
Dessa vez foi rápido. Quando uma franquia está esgotada pelas suas continuações, a opção hollywoodiana de “recomeçar a série como se nada tivesse acontecido” recebe o nome de reboot. Foi o que aconteceu, por exemplo, com X-Men que, após o fracasso do terceiro filme e do especial ‘Wolverine’, recomeçou com ‘Primeira Classe’. Dessa vez o reboot é com o Homem Aranha, que terá sua história contada desde o início a partir de 2012.
- O Hobbit
Os fãs de ‘O Senhor dos Aneis’ esperaram. Esperaram muito. Desde o fim da produção da gloriosa trilogia, está prometida a adaptação para cinema do livro ‘O Hobbit’, do mesmo autor. Troca de diretores; brigas com elenco; problemas com locações e cenário; foram inúmeros os problemas que arrastaram a produção e, em alguns momentos, até colocaram em cheque sua execução. Mas, finalmente, o trabalho está feito. ‘O Hobbit’ está pronto e já em fase de pós-produção. O diretor é o mesmo da saga do Anel, o que já garante o mesma excelência da produção anterior.
- Batman: O Cavaleiro das trevas ressurge
Provavelmente o filme mais aguardado do ano, trata-se da conclusão da aclamada trilogia do homem morcego, magistralmente dirigida por Cristopher Nolan (A Origem). Após uma série de fracassos cinematográficos com filmes do herói, Nolan assumiu a franquia em 2005, com Batman Begins, e conseguiu salvar o personagem. Além de contar a história de forma satisfatória, os filmes são tecnicamente impecáveis, colocando o diretor no primeiro escalão de Hollywood.
Como o ano cinematográfico é longo, na edição da semana que vem a lista terá continuidade.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 31/12/2011
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É bem comum, entre os mais velhos, certo preconceito contra animações. Com tantas opções nas estantes das locadoras ou nas salas de cinemas, há quem diga que os animados são “coisa de criança”. Grande engano! Há vários filmes imperdíveis nesse tipo de produção, com o benefício de poder divertir os pequenos e, também, os mais maduros.
Aproveitando o período de férias escolares, segue uma seleção de títulos para procurar e aproveitar.
Os estúdios Disney, que trabalham com filmes infantis desde a década de 40, é detentor de uma quantidade de títulos impressionante. Muitos no formato musical, com a trama tomada por situações em que a música faz parte do roteiro. Devido à grande capacidade dos dubladores brasileiros que trabalham com animações, as versões em português não deixam nada a desejar, quando comparadas às originais. Procure por:
- Pinóquio
- Bambi
- Cinderela
- Alice no país das maravilhas
- Peter Pan
- A bela adormecida
- Os 101 dálmatas
- A pequena sereia
- Aladdin
- Pocahontas
- O corcunda de Notre Dame
- Hércules
- Tarzan
- Dinossauro
- Lilo & Stitch
- Irmão Urso
Além desses clássicos, os estúdios Disney, carentes com a área tecnológica de produção (que substituiria a técnica de sobreposição de quadros desenhados por computação gráfica), encontrou na Pixar uma grande parceria. Juntas, Disney e Pixar criaram grandes obras da animação, ganhando diversos Oscars e renovando o gênero. Veja:
- Toy Story (a trilogia)
- Vida de inseto
- Monstros S.A.
- Procurando Nemo
- Os Incríveis
- Carros
- Ratatouille
- WALL-E
- Up! Altas aventuras
O destaque, dentre esses, fica para a trilogia Toy Story. Não só por marcar o início da parceria (e de uma revolução na animação computadorizada), mas por trazer uma bela história que, mesmo com quinze anos de distância entre o primeiro e o terceiro filme, tem um roteiro espetacular e traz lições para qualquer geração.
Outro estúdio, que bebeu bastante da fonte dos estúdios Disney, mas desenvolveu seus projetos e conquistou seu espaço, é a DreamWorks. A seleção é bem mais humilde:
- Trilogia Shrek
- Madagascar
- Bee Movie
- Kung Fu Panda
- Como treinar seu dragão
- Gato de Botas
É importante lembrar, também, do nosso representante: Carlos Saldanha. Tido, atualmente, como um dos maiores diretores de animação, assinou a trilogia ‘A Era do Gelo’, ‘Robôs’, ‘A Aventura Perdida de Scrat’ e ‘Rio’. Sendo que os dois últimos filmes da franquia ‘A Era do Gelo’ foram responsáveis por uma bilheteria estrondosa, se colocando entre os recordistas de bilheteria do cinema mundial.
Por fim, voltando a uma produção da Disney, encerro com a indicação de um longa que, independente da data ou tecnologia usada em sua produção, ainda é indefectível e um dos maiores filmes da história: ‘O Rei Leão’. Quem não assistiu tem a obrigação de providenciar o DVD (recém-lançado) imediatamente; os que já viram, devem fazer com que os filhos (ou sobrinhos, netos, primos) vejam também – ‘O Rei Leão’ vai, com certeza, marcar um pouco a vida de cada um.
Um 2011 repleto de filmes inesquecíveis para todos!
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 24/12/2011
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Todo ano, quando se aproxima o Natal, os canais de TV passam a exibir diversos filmes sobre o tema. São, geralmente, filmes que já foram transmitidos nos anos passados, como a manjada série ‘Esqueceram de mim’, que é reproduzida de forma incansável, ano após ano. Mas há, nas locadoras, alguns tesouros cinematográficos natalinos, que valem a pena serem resgatados.
O ‘Estranho Mundo de Jack’ é uma sugestão para ser vista por toda a família. A animação, de 1993, foge do tradicional e traz um tom macabro (e divertido) para a celebração natalina. Na trama, existe uma realidade fantasiosa, onde há a Cidade do Halloween, na qual vivem diversos personagens do dia das bruxas (fantasmas, vampiros, bruxas…). Quando um deles se perde e acaba entrando na Cidade do Natal, é contagiado pelo clima da comemoração e tenta trasmití-lo para seus conterrâneos. Além da divertida história, o longa conta com uma animação impecável (concorreu ao Oscar de melhores efeitos especiais) e uma trilha sonora que foge, por completo, do que se espera de um filme de Natal. A trama é baseada em um poema escrito por Tim Burton (diretor de ‘Alice no país das maravilhas’ e ‘Edward mãos de tesoura’).
Para os que preferem um romance, a indicação é ‘Simplesmente Amor’, de 2003. Nele, conhecemos diferentes histórias de amor, que ocorrem paralelamente. Entre novos apaixonados, casais em crise ou amores idealizados, há, em comum, apenas o envolvente clima natalino. Com uma montagem bem feita, a produção consegue amarrar o enredo de forma clara e divertida. No elenco, há grandes nomes, como Alan Rickman (o Snape, de ‘Harry Potter’), Colin Firth (recém-premiado com o Oscar de melhor ator, por ‘O Discurso de Rei’) e o queridinho brasileiro, Rodrigo Santoro.
‘Feliz Natal’, do diretor francês Christian Carion, conta uma história inspiradora, baseada em um acontecimento real da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Na noite de Natal, sem consentimento dos líderes militares, os soldados alemães e ingleses iniciaram uma trégua não-oficial e, unidos, comemoraram a data, com presentes e brincadeiras. O fato é usado frequentemente por sociólogos para demonstrar que o ser humano, por natureza, não é partidário à guerra. Nos anos seguintes, contanto, os líderes proibiram a repetição da celebração. O longa é uma produção conjunta de Alemanha, Inglaterra, França, Bélgica e Romênia, provando que os soldados estavam certos e que esses países podem, sim, comemorar juntos.
Por fim, há o tradicionalíssimo ‘Contos de Natal’, de 1951. Baseado em um livro de Charles Dickens, conhecemos a história de Scrooge, um velho que, apesar de muito rico, é uma péssima pessoa: sempre mal humorado, ganancioso e nunca faz o bem ao próximo. Na noite de Natal (que passa, obviamente, sozinho), recebe a visita de três fantasmas que, conciliando passado, presente e futuro, vão trazer uma grande lição. Há, também, várias outras adaptações do conto para as telas – vale ver a animação lançada em 2009, que recebeu o nome ‘Os fantasmas de Scrooge’.
Publicado originalmente na coluna ‘Falando de Cinema’, do jornal ‘O Sul de Minas’, em 17/12/2011
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Desde o início de dezembro, o canal TCM exibe a seleção “50 filmes que você deveria ver antes de morrer”. São dois longas por dia, transmitidos a partir das 22h, até o dia 25. No dia 17, sábado, a fita da noite será Apocalypse Now, de 1979, dirigido por Francis Ford Coppola.
Coppola dirigiu, em 1972 e 74, os dois primeiros filmes da trilogia O Poderoso Chefão – aclamados pelo público, crítica e, ambos, premiados com o Oscar de melhor filme. Cinco anos depois de receber a segunda estatueta (a primeira da história para uma sequência), o diretor presenteou o mundo com Apocalypse Now.
Apocalypse Now acompanha a missão do capitão Willard (Martin Sheen) durante a Guerra do Vietnã. O oficial recebe a ordem de encontrar e assassinar o coronel Kurtz (Marlon Brando), acusado de ter enlouquecido, debandado suas funções como combatente e criado uma seita em uma floresta do Camboja. Mais do que um filme de batalhas, Apocalypse Now disseca a relação humana com a guerra.
Para chegar até Kurtz, o capitão Willard tem que subir com um barco pelo ficcional Rio Nung, que liga o Vietnã ao Camboja, escoltado por quatro soldados americanos. Nessa pequena saga, os navegantes observam diversas situações criadas por uma guerra, que, sem a irracionalidade passional do combate, geram um ponto de vista diferente, semelhante ao nosso, espectadores.
Enquanto os soldados sobem pelo rio, é visível a influência que a guerra causa sobre eles e, mais do que isso, o peso de fazer parte de tudo aquilo. O trabalho de Coppola, mais do que tudo, remete ao sentimento norte-americano ao fim da guerra. Pela primeira vez, com uma guerra televisionada, o cidadão comum teve contato com a brutalidade do acontecimento, podendo questionar a imagem do exército como herói.
É esse debate que leva ao questionamento final: o que é, realmente, loucura em uma guerra? Ao dizer que o coronel Kurtz enlouqueceu ao criar uma seita e se endeusar perante pessoas de uma cultura inferior, há um claro apontamento para o que a Guerra do Vietnã realmente é. O que o oficial, tido como louco, faz é exatamente o que os Estados Unidos tentam fazer com o povo norte-vietnamita, só que em uma escala inferior.
Além do grande debate acerca da guerra, o longa tem uma qualidade técnica inquestionável. O realismo das cenas de combate, os efeitos causados pela fotografia e o contraste entre a linda paisagem (a fita foi rodada nas Filipinas) e a crueldade da guerra, valorizam o resultado final do filme que, sem dúvidas, estaria na lista, mesmo que reduzida para apenas 10 filmes que você deveria ver antes de morrer.